ENERGIA NUCLEAR

A energia nuclear continua a ser tema de constante discussão na sociedade, seja por seu emprego como fonte alternativa de energia, seja pela própria insegurança que impõe ao destino do planeta. É difícil, no entanto, perceber no cotidiano que seus subprodutos estão presentes no dia a dia do cidadão comum, no hospital e nos mais avançados centros de pesquisas onde o objetivo básico é a ciência pura e aplicada.

A energia nuclear ao mesmo tempo que assusta como algo destrutivo, é em muitos países, principalmente na Europa, o recurso energético mais viável. Diante deste quadro, "Qual é o limite entre a solução e a ameaça?" é uma questão quase sempre abordada de forma extremista e pouco objetiva por seus seguidores, que recorrem radicalmente ao advento dos testes atômicos, dos acidentes radiológicos, dos efeitos biológicos e por outro lado a medicina nuclear e suas possibilidades de cura não permitem ao indivíduo da sociedade, de modo pleno e claro, que este tenha uma postura decisória consolidada sobre a questão que lhe é apresentada. É necessário, portanto, que se desenvolva a partir dos níveis escolares de base condições ao amadurecimento de idéias sobre um tema tão polêmico quanto atual.

O trabalho proposto pela UGGI propõe abordar, de forma ilustrativa e prática, fatos sobre o emprego da energia nuclear nas diversas áreas do conhecimento humano, a saber: o Geração de energia - Medicina nuclear - Controle de qualidades de materiais - Prospeção de minérios - Arqueologia e datação - Agricultura - Conservação de alimentos - Glaciologia e climatologia - Astrofísica

Como também, o Efeitos biológicos da radiação ionizantes - Teste atômico no período da guerra fria - Chernobyl, Hiroshima, Nagasaki e Goiânia.

Objetivando fornecer subsídios (conhecimentos) ao estudo quanto aos benefícios, implicações ecológicas, etc. da energia nuclear do contexto de sua história e de suas perspectivas futuras.

Dentro da proposta da UGGI, o trabalho de energia nuclear traspassa a discussão teórica para virar objeto prático de estudo interdisciplinar. Para tanto entendemos ser indispensável para a compreensão da problemática energética a visita a Usina Angra, onde é possível, também, trabalhar as implicações políticas, sociais, econômicas e ecológicas de seu funcionamento. Enxergar a energia nuclear isoladamente seguramente consiste em um grave erro de percurso, portanto nada mais oportuno do que seu estudo multidisciplinar.

Por: Heitor Evangelista da Silva
FÍSICO, MESTRE EM CIÊNCIAS ESPACIAIS, DOUTOR EM BIOCIÊNCIAS NUCLEARES, É ESPECIALISTA EM RADIOATIVIDADE ATMOSFÉRICA E GEOFÍSICA NUCLEAR, TRABALHA DESDE 1987 NO PROGRAMA ANTÁRTICO BRASILEIRO E DESDE 1992 EM PROJETOS DE DETECÇÃO DA RADIOATIVIDADE NATURAL E ARTIFICIAL NA AMAZÔNIA. ATUALMENTE DESENVOLVE TRABALHOS CIENTÍFICOS JUNTO A UERJ, INPE - SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E INSTITUTO DE RADIOECOLOGIO DE HANNOVER (ALEMANHÃ).