COMUNIDADE QUILOMBOLAS VALE DO RIBEIRA
O Vale do Ribeira conta com aproximadamente 50 comunidades remanescentes de quilombos. Estas comunidades descendem diretamente de escravos africanos e sua característica comum está ligada ao "desenvolvimento de práticas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida". Seus direitos sobre suas terras estão garantidos pela Constituição Federal. Apesar disso, sofrem constantes ameaças, que vão do não reconhecimento de suas terras à implantação de grandes empreendimentos, como a construção de barragens.
A comunidade de Ivaporunduva é uma das maiores e mais tradicionais de São Paulo e teve sua origem por volta de 1750. Fica na margem esquerda do rio Ribeira do Iguape e seus moradores precisam atravessar o rio para se comunicar com a cidade. Por falta de recursos, a única maneira de travessia é através de canoas, o que dificulta a vida dos moradores.
Estas comunidades enfrentam, junto com todas as comunidades remanescentes de quilombos do Brasil, dificuldades como o isolamento, a briga de titulação das terras, o reconhecimento de sua história e cultura além dos problemas de educação, higiene e saúde e trabalho.
Mas o Vale do Ribeira também tem outra briga bastante dura. Existe um projeto de construção da hidrelétrica de Tijuco Alto e um outro projeto da CBA, a Companhia Energética de São Paulo que pretende construir mais três barragens (Batatal, Funil e Itaoca) na região.
O complexo hidrelétrico inundaria 111 mil hectares, incluindo as terras mais férteis. Deste total, 40% são áreas de preservação ambiental e permanente, abrangendo partes significativas da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, do Parque Estadual de Jacupiranga (SP) e do Parque Estadual das Lauráceas (PR). O custo ambiental subiria ainda mais, se considerados os efeitos sobre a qualidade das águas e os peixes, a impossibilidade de controlar cheias e os tremores de terra decorrentes da acomodação do terreno sob o peso das águas, por causa das muitas cavernas existentes na região, como a Caverna do Diabo. Entretanto, o custo maior seria de caráter social. Somente a hidrelétrica de Tijuco Alto desalojaria quatro mil famílias que moram nos municípios de Cerro Azul, Adrianópolis, Barra do Chapéu (PR) e Ribeira (SP).
Entre as comunidades quilombolas, o complexo representaria o término de seu modo de vida. Com a construção das barragens, as roças, casas, a igreja de pelo menos três séculos, a cultura e a história dessa gente iriam por água abaixo.
Diante deste panorama e ciente de muito pode ser feito por estas comunidades é que a UGGI considera importante um projeto de campo que envolva um grupo de alunos diretamente nas comunidades. Não é pretensão deste trabalho, contudo, que os alunos resolvam ou se envolvam diretamente nas brigas políticas das comunidades, mas que eles entendam seus problemas e possam contribuir, dentro de seus limites práticos, para a melhoria de alguns aspectos da vida das comunidades.
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