BAIXADA SANTISTA
Vizinho a São Vicente, Bertioga e Cubatão, o município de Santos, assim como eles, guarda dentro de sua história, importante parte da história do país.
Um local protegido para atracação, com fartura de água potável, com a presença da Mata Atlântica e suas inúmeras frutas e boa caça, com um mangue sustentando a pesca abundante e variada, foram alguns dos fatores que facilitaram a instalação de assentamentos de portugueses por estes lados.
Esse local privilegiado já era habitado na época de seu descobrimento por Tupis e Guaranis, imensas nações indígenas, que carregam até hoje as tristes marcas dessa relação de exploração e domínio.
Visitar São Vicente, sua "Vila histórica" e assistir a breves atos de um teatro ao ar livre sobre a chegada dos portugueses à vila, é voltar no tempo e tentar entender a visão do conquistador e do conquistado, com os olhos da época.
Atrás de riquezas, tão importantes para o sustento do Reino e de sustento para a Vila que crescia em número de almas, as incursões pelo enorme degrau da "serra" trouxeram pioneiros ao Planalto de Piratininga, ação que une a história da fundação da Capital à Vila de São Vicente.
O Porto, ligação natural a Portugal, serviu também para o comércio interno e as descobertas de ouro e pedras preciosas na região do Planalto. Este comércio intensificou o trânsito tanto nas trilhas da serra, quanto com as demais localidades já existentes e, por mar, Santos ligou São Paulo ao Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e Cananéia.
O futuro reservaria destino próspero a esse roteiro, não sem muito esforço e sofrimento pois, cabe lembrar, o clima no Planalto de Piratininga era difícil até para europeus e a umidade tão benéfica aos vegetais, destruía a saúde de quem vinha de clima seco.
"...a chuva fina que nunca para e os ventos cortantes do inverno tornam impossível habitar estes campos..." (* trecho da publicação São Paulo quinhentista, depoimento de João Ramalho à Coroa portuguesa)
Tempos modernos chegaram. Passo a passo o Porto se modernizou, os caminhos para subir a serra tornaram-se mais adequados e São Paulo com a chegada do café tornou-se grande e forte e cada vez mais a ligação planalto/litoral fez-se importante e fundamental para enriquecimento do estado.
A visão ambientalista, inexistente nesse período, aparece quando só é possível tomar um susto enorme com o que foi feito e instalado. Aparece quando Cubatão, maior gerador de divisas do país é considerado o pior município do mundo em qualidade de vida, quando os mangues estão mortos, quando ar e água já estão contaminados a níveis venenosos para o ser humano, quando a quantidade de dejetos é tão grande que o mar entorno não dá conta de absorver, quando a paisagem perde graça e beleza e, até a bela cidade ai construída (uma das primeiras com planejamento urbano), começa a ser abandonada por sua população. Incrivelmente, parece que deu tempo de socorrer a catástrofe descrita acima. Com recursos próprios, do Estado, da Nação e do exterior, o complexo Santos, Cubatão, Bertioga e São Vicente recebeu a atenção merecida e se recompôs.
Ainda há muito a visitar: o Porto e seu museu, a Bolsa do Café , o Centro Histórico (que se conhece através de um romântico passeio de bonde elétrico), o Monte Serrat e seu sistema funicular de tração de trem, os canais controladores de maré, os mais extensos jardins do mundo que adornam toda a orla marítima, o Museu do Mar e o da Pesca, o Aquário e o Orquidário são algumas das muitas visitas imperdíveis deste roteiro.
Visitar Campinas, São Paulo, Paranapiacaba, Santos é viajar na história do Brasil e das grandes conquistas européias. É aprender sobre dominadores e dominados. É refletir sobre impacto ambiental e seu custo. É pensar no futuro.
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